A taxa DI e as operações financeiras de atacado

Descreve como é a taxa DI

Segundo a Cetip, é “a taxa DI a principal referência para a rentabilidade dos títulos bancários, como o CDB, a LCI e a LCA, e também corporativos, como as debêntures”.

É o valor que lastreia as operações entre bancos. Os bancos diariamente negociam títulos entre si. Com vencimentos bem curtos - um dia - milhares de instituições financeiras emprestam recursos a outras organizações, também financeiras. Para o banco fechar seu dia com saldo positivo (uma vez que isso é norma do Banco Central, instituições financeiras não podem terminar o dia com caixa negativo. Trata-se de uma medida de segurança, para manter o sistema financeiro saudável e estável), bancos que ficam com o caixa negativo podem recorrer ao mercado interbancário para fazer empréstimos com os bancos que têm sobra de caixa. A taxa média cobrada por esses títulos se tornou um balizador para vários outros tipos de empréstimo do mercado financeiro.

As estatísticas da formação da taxa DI são “apuradas com base nas operações de emissão de Depósitos Interfinanceiros pré-fixados, pactuadas por um dia útil e registradas e liquidadas pelo sistema Cetip, conforme determinação do Banco Central do Brasil.”

Traduzindo em miúdos, o investidor em títulos de renda fixa sujeita o seu investimento a um rendimento equivalente àquele que instituições financeiras utilizam, em suas operações interbancárias.

Estas taxas giram ao redor das taxas Selic, onde as mesmas instituições realizam operações de Open Market, trocando reservas em operações de otimização de liquidez bancária.

Nada a ver

Que têm, estas operações de atacado por um dia, a ver com a aplicação de recursos com as quais os bancos realizam suas operações de crédito?

Qualquer consulta às taxas de aplicação dos bancos e financeiras mostrará que, entre essas taxas e as taxas de captação de recursos, oferecidas a investidores em títulos de renda fixa, vai uma enorme distância. Fica bem claro que o banqueiro toma dinheiro muito barato, e aplica esse dinheiro a preços muito elevados.

Esta situação fica cada vez mais clara, quando o juro primário da Economia, a taxa Selic, está em valores extremamente baixos. Isso conduz a um spread exponencialmente alto, reconhecido e criticado em diversas áreas do mercado financeiro, e pobremente justificada pelos banqueiros.

Atualizado em 28/04/2020