Graduação do nível de risco
Situa o aluno em torno dessa graduação
Investimentos cujos valores de resgate dependam do mercado, sujeitos a condições de oferta e demanda, são mais arriscados que, por exemplo, títulos públicos federais, quer seja pela dispersão na estimativa do valor a ser resgatado como pela qualidade do crédito. A compra de CDB de banco de qualidade de crédito duvidosa também é um investimento de risco, não pelo cálculo do valor de resgate, mas pela dúvida quanto a sua efetivação (recebimento do dinheiro na data de liquidação).
Investidores são sempre orientados para minimizar o risco. Wall Street define risco como volatilidade, e a maneira de reduzir risco, dizem os especialistas, é diversificar. Mas, no relatório anual de 1993 da Berkshire Hathaway, o executivo-chefe Warren Buffet [1] diz que investidores inteligentes podem fazer melhor do que isso, se ignorarem a orientação de Wall Street. Berkshire Hathaway possui grandes quantidades de apenas nove ações, uma concentração que reflete uma crença de Buffet: ele foi capaz de tomar apenas umas poucas decisões inteligentes durante toda a sua vida.
Um resumo de sua carta aos acionistas diz:
“A estratégia que adotamos contraria os padrões dogmáticos da diversificação. Muitos diriam então que nossa estratégia deve ser mais arriscada do que a que é empregada pelos investidores convencionais. Discordamos. Cremos que uma política de concentração de portfólio pode reduzir riscos, se levar em conta – como deve – a intensidade com que o investidor encara uma operação de compra e o grau de conforto que ele deve sentir, antes de comprar essa posição. Preferimos definir risco segundo os termos do dicionário, como a possibilidade de perder dinheiro, ou dar-se mal com um investimento.
Os acadêmicos, todavia, gostam de definir risco de investimento de outra forma, afirmando que ele é a volatilidade relativa de uma ação ou de uma carteira de ações – isto é, sua volatilidade comparada com a de uma grande amostra de mercado. Empregando bancos de dados e procedimentos estatísticos, estes acadêmicos calculam com precisão o Beta de uma ação – sua volatilidade relativa no passado – e daí constroem teorias secretas de investimento e alocação de capitais em função desse cálculo. Em sua ânsia por uma estatística simples para medir risco, todavia, eles se esquecem de um princípio fundamental: é melhor estar aproximadamente certo, do que precisamente errado.
Para os proprietários de um negócio – e é assim que vemos o acionista – a definição acadêmica de risco está longe da verdade, tão longe que conduz as pessoas a fazer besteira. Por exemplo, subordinados à teoria do Beta, uma ação cujo preço caia significativamente em comparação com o mercado – como as ações do Washington Post que compramos em 1973 – torna-se mais “arriscada” ao preço mais baixo do que quando estava ao preço mais alto. Será que essa descrição faria senso para alguém que recebesse uma proposta pela empresa, a um preço significativamente reduzido?
De fato, o verdadeiro investidor aprecia a volatilidade... porque um mercado selvagemente flutuante significa que preços irracionalmente baixos são periodicamente atribuídos a negócios sólidos.
É impossível ver a viabilidade de tais preços representar um aumento de riscos, para um investidor que está completamente livre para ignorar o mercado ou explorar sua irracionalidade”.
Warren Buffet sugere concentrar os investimentos em poucas empresas muito bem selecionadas (Veja, neste curso, o tópico sobre Diversificação de carteira). Considerando seu sucesso nos investimentos, devemos refletir sobre estas ponderações, mas nunca esquecendo que, com capacidade de análise superior ao do investidor padrão, Buffet pode minimizar a importância de diversificação de ativos como forma de diminuir o risco.
[1] A Berkshire Hathaway é a principal investidora da agência Moody’s de classificação de riscos, que, por sua vez, é a segunda maior empresa do setor.
Atualizado em 20/08/2014