É a reserva universal de valor
Define a importância do ouro na Economia
O ouro é a moeda universal e eterna. É uma reserva universal de valor. É a moeda boa (*), que contém o valor em si mesmo. Nenhum bem de riqueza tem conotação tão ampla.
A cultura de todas as civilizações humanas cristalizou este conceito, porque o ouro contém o seu valor em si mesmo. Sua posse alia-se à sua portabilidade, para conferir-lhe o caráter exclusivo de riqueza real, móvel, reconhecida e aceita há mais de seis mil anos em qualquer comunidade humana, na face da Terra.
Como moeda, o ouro não circula mais. Difícil de obter, os governantes não podem impor o uso do ouro como moeda de curso legal, ou curso forçado. Todos preferem guardá-lo a dar-lhe utilidade no uso diário.
O ouro foi substituído inicialmente por certificados de ouro, traduzidos como moeda-papel. Depois, os governantes descobriram que podiam emitir papel sem lastro em ouro, e criaram o papel-moeda.
Enquanto for lastreado em algum tipo de riqueza produtiva, o papel-moeda mantém sua estabilidade. Quando os governantes o emitem sem qualquer lastro de riqueza, o papel-moeda gera a mais grave das doenças sociais, a inflação.
Em nosso sistema de trocas atual, não parece haver possibilidade prática de nos desvincularmos do ouro como garantia em algumas operações internacionais. Há épocas e circunstâncias em que nenhum outro valor pode ser aceito.
O ouro propicia suporte contra o colapso num governo, compensação contra liquidações bancárias, controle de câmbio estrangeiro, desvalorização da moeda. É imune à inflação e é particularmente relevante em mercados emergentes. O conceito de investimento estratégico cai como uma luva quando se pensa em ouro.
As moedas nascem, vivem e morrem. Exceto quando são de ouro.
(*) Se diz que a moeda má expulsa a moeda boa. Originada na época das moedas metálicas. As moedas de maior valor tendem a ser guardadas ou processadas (quando em metal precioso), desaparecendo de circulação. Com isso, só as moedas em processo de desvalorização são usadas. Atribuída ao banqueiro inglês Sir Thomas Gresham (1517-79), mas não foi ele quem desenvolveu essa lei. Ela foi formulada originalmente pelo físico e astrônomo Copérnico, num relatório escrito em 1526, a pedido do rei Sigismundo, da Prússia. A conclusão de Copérnico é que quando há duas moedas nacionais de teor semelhante no mesmo meio circulante, a moeda má expulsa a moeda boa, no sentido de que as pessoas tendem a retirar de circulação as peças monetárias de ouro para fundi-las em barras e negociá-las, no estrangeiro, por sua cotação internacional.
Com isso, o meio circulante, ao invés de fortalecer-se, deteriora-se.
(do blog do advogado e consultor Letácio Jansen)
Atualizado em 24/04/2020