O sistema monetário criado em Bretton Woods
Descreve como os países estabeleceram novo sistema monetário em 1944
Durante a II Guerra Mundial um novo sistema internacional foi criado, para substituir o padrão-ouro clássico. A decisão coube aos signatários da Conferência de Bretton Woods, em julho de 1944. O dólar assumiu a função de ser a moeda central do sistema, em face da dominância dos Estados Unidos evidenciada na guerra.
Dois dias após o fracasso de um atentado para matar Adolf Hitler, em julho de 1944, instalava-se na pequena cidade de Bretton Woods a reunião de constituição do FMI. Após o caos financeiro resultante da guerra havia necessidade de estabilidade financeira, e com taxas fixas sendo essenciais para o comércio internacional, num formato mais flexível do que aquele que havia sido provido pelo padrão-ouro.
O dólar seria a moeda central do sistema, em face do compromisso dos Estados Unidos de garantir aos bancos centrais dos países membros a livre conversibilidade do dólar em ouro, nos preços fixados. Fixou-se o preço do dólar em 15 5/21 grãos, com teor de pureza 900, o que equivalia a US$ 35 por onça troy.
Um valor ao par dessa avaliação em relação a cada moeda dos países signatários do acordo deveria ser estabelecido, fixando as paridades de suas moedas em relação ao dólar, podendo reajustá-las apenas em casos de desequilíbrios fundamentais dos balanços de pagamento, mediante prévia aprovação do FMI.
O valor ao par da libra esterlina em relação do dólar foi fixado em $4,03, o franco francês em 0,84 cents e o franco belga em 2,3 cents.
Oitenta e cinco países assinaram o acordo, ao passo que a Suíça, Argentina, Espanha e Portugal estabeleceram paridades com o dólar em termos de ouro.
O Brasil fixou sua paridade em termos de Cr$ 18,82 por dólar (US$ 0,053135/1). Porém, a taxa de inflação brasileira ainda durante a guerra e no pós-guerra foi bastante superior às médias norte-americanas, levando o Brasil a enfrentar, desde logo, o problema de escassez de divisas, que foram parcialmente contornadas com medidas administrativas, como filas para conseguir câmbio e licenças especiais de importação.
O período pós 1971
Em 15 de agosto de 1971, os Estados Unidos suspendem unilateralmente a conversão de dólares em ouro a US$ 35,00, depois a US$ 38,00, finalmente a US$ 42,22. Os americanos inundaram o mundo de dólares após a II Guerra Mundial, e esses dólares voltavam agora, exigindo ouro em troca, sangrando dramaticamente as reservas de ouro dos Estados Unidos.
Há 10 anos que o mercado do ouro já vinha desrespeitando este valor “oficial” do ouro, e negociava-se bem acima dos valores acordados em 1944. Os negócios sempre começavam comprando-se ouro dos americanos, e revendendo com excelentes lucros no mercado livre. Com isso o dólar sofreu depreciação em relação às outras moedas, rompendo o acordo da paridade.
O reflexo dessa desordem financeira recaiu em cima das negociações com petróleo. Com isso, já em outubro de 1973 os países membros da OPEP (países árabes mais Egito e Síria) proclamaram o embargo do óleo nos negócios com Canadá, Japão, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos. O preço do barril sobe de US$ 3 para US$ 12, causando uma crise de óleo (o oil shock) que afetou toda a economia mundial.
Os efeitos do shock estavam especialmente no custo de energia nos países de inverno rigoroso, e secundariamente no custo de gasolina para movimentar automóveis. E afetaram o mercado de ações em todo o mundo, causando algo muito parecido com a Grande Depressão de 1929.
Ao mesmo tempo, os preços do ouro cresciam por causa das enormes incertezas financeiras.
Na sequência, países árabes atacam Israel, na guerra do Yom Kippur. Nova pressão sobre os preços do óleo foram consequência natural dessa situação, originando desordem nos preços das principais commodities agrícolas, que ocasionou severas reações entre os árabes, importadores dessas mercadorias.
Atualizado em 24/04/2020