As moedas brasileiras de ouro

Descreve as principais moedas brasileiras de ouro que circularam no século XIX

Foi no Recife holandês que se cunharam as primeiras moedas de ouro brasileiras, posteriormente remarcadas por Portugal, a fim de desvalorizá-las. Mais tarde, abriram-se casas da moeda na Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, novamente no Rio, e nas Minas Gerais. Estas casas cunhavam a moeda “provincial”, e, desde logo, apresentaram problemas de credibilidade: as provinciais tinham teor de ouro fino instável, sempre menor do que o legal, ao contrário das peças portuguesas, cunhadas na Metrópole.

As primeiras moedas de ouro eram de 1.222 e de 4 mil réis. Cada mil-réis de ouro deveria ser representado por duas oitavas de onça mais vinte grãos. Cada onça tinha oito oitavas, e cada oitava, 72 grãos. Cada grão pesava 0,05 gramas. Com isso, a oitava pesava 3,6 gramas, e a onça pesava 28,8 gramas. Este sistema de pesos destoa do vigente na Inglaterra, e analisado em outra parte deste Curso.

A gíria “passar nos cobres” vem desta época. Portugal trocava o ouro fino ou amoedado, além das pedras preciosas brasileiras, por moedas de cobre, cunhadas na Metrópole, e desde logo aviltadas, já que seu teor de fino era inferior ao da cotação do cobre no mercado. Durante a fase de colônia, a moeda brasileira sofreu contínua desvalorização, através de sucessivas quebras de padrão, consolidadas por meio de remarcações mais ou menos constantes das moedas que circulavam no comércio. As patacas e meias patacas brasileiras foram desvalorizadas em 25% (1643), 10% (1668), 20% (1688) e 10% (1694). De 1722 a 1808, sucessivas Cartas Régias e Alvarás baixados pela Coroa portuguesa prosseguiram na desvalorização da moeda brasileira, ao mesmo tempo que criavam a senhoriagem, tributo dos tempos feudais. A senhoriagem teve seu período de exagero no Brasil no governo Getúlio Vargas, quando decreto presidencial mencionava que o ouro seria pago ao faiscador com o desconto de 20% do preço oficial, dado pelo Banco do Brasil.

Esta acumulação de acidentes financeiros e tributários induziu forte evasão de divisas em ouro brasileiro, que foi buscar na Europa ambientes mais estáveis e menos espoliadores. Ainda que a história da evasão jamais tivesse sido contada com detalhes fidedignos, a maioria dos historiadores responsáveis estima que cerca de 97% da produção brasileira de ouro tomou outros rumos que não os de enriquecer a Nação e sua sociedade. Segundo Humboldt, cerca de £ 194 milhões foram produzidos pelo Brasil-colônia e outros £ 50 milhões pelo país independente.

Atualizado em 24/04/2020