O papel dos bancos centrais em relação ao ouro
Define o procedimento dos bancos centrais em relação a seu estoque e tamanho das reservas
Comprar muito e vender muito pouco – este é um comportamento típico de banco central, nos últimos anos. Os bancos centrais mantém elevados estoques de ouro como reserva, porque podem ocorrer situações que só se resolvem com uma moeda universal.
Em dados de junho de 2019, estes eram os principais países armazenadores de ouro:
| Estados Unidos | 8.133,5 | 76% |
| Alemanha | 3.366,8 | 72% |
| FMI | 2.814,0 | |
| Itália | 2.451,8 | 67% |
| França | 2.436,1 | 62% |
| Rússia | 2.207,0 | 19% |
| China | 1.926,5 | 3% |
| Suíça | 1.040,0 | 6% |
Quase todos os bancos oficiais costumam fixar o valor de suas reservas segundo o último valor “oficial” do ouro, em 1973. Com raras exceções, os bancos centrais contabilizam seus estoques de ouro a US$ 42,22 por onça troy.
O BC do Brasil, que já teve mais de 100 toneladas de ouro, também as reduziu e, pelos dados disponíveis, desde 2002 estabilizou sua reserva em ouro em 1.080.000 onças troy, ou, aproximadamente, 35 toneladas.
As três regras do bom investimento
Os executivos de contas do setor público dos países são responsáveis por investir trilhões de dólares em ativos financeiros de toda espécie. Todos eles respeitam e praticam as três leis básicas do bom investimento: segurança, liquidez e rentabilidade.
Por estas razões, os melhores dentre eles elegem o ouro como essencial para fazer parte da carteira de investimentos:
| Liquidez | O ouro é operado diariamente, num processo 24/7, nas principais praças financeiras do mundo, e rivaliza com os principais itens de investimento na preferência dos administradores de fundos, por causa da sua aceitação universal e baixos custos de transação |
| Segurança | O ouro é investimento de alta qualidade, negociado em dezenas de mercados ao redor do mundo, e diversifica os portfólios, mitiga os riscos e serve como um valioso elemento colateral nas negociações |
| Rentabilidade | Há mais de 20 anos as taxas de retorno do ouro desempenham melhor do que os padrões de retorno dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, eurobonds, bonds japoneses e do Reino Unido, nos horizontes de 10 anos, 5 anos e um ano. |
E sempre é bom fixar a posição de um experimentado administrador de operações com ouro, que lembra que todos os países grandes têm jazidas de ouro: Rússia, Brasil, Estados Unidos, Canadá, China, Austrália e África do Sul. Basta uma determinação do banco central desses países, e a mineração ou o garimpo de ouro ganham atividade, funcionando sempre o banco central como comprador preferencial, para aumentar seus estoques. Logo, o valor atual de seus estoques (com o país sem estimular a mineração) é apenas um dado circunstancial.
Quando presidiu o Banco Central do Brasil, o economista Carlos Langoni admitia que o ouro era a forma pela qual o investidor brasileiro podia ter acesso a ativos cambiais regularmente. E lembrava que estudos do então DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) estimavam nossas reservas provadas de ouro aluvionar em volume suficiente para assegurar uma produção anual da ordem das 200 toneladas de ouro puro.
Como foi nos anos 1980
Nos primeiros anos daquela década, o governo Figueiredo precisava satisfazer uma parcela de importante financiamento internacional. Como contou um executivo diretor da ANORO, resolveu-se transformar em barras de ouro de 400 onças troy os objetos de ouro - especialmente joias - arrecadados em 1964 na campanha "Ouro para o bem do Brasil".
As peças, que estavam guardadas na Casa da Moeda, foram derretidas, purificadas e transformadas em barras de ouro fino, e enviadas aos credores, para amortizar a pendência. Ficaram registradas naquela repartição todas as doações de peças de ouro arrecadadas quase 20 anos antes, e cada barra, devidamente numerada, cadastrava as peças utilizadas na sua produção, com peso em ouro e identificação do doador.
Esta circunstância nunca foi divulgada antes.
Atualizado em 24/04/2020