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Warren Buffett: por que ele mantém os investimentos nos EUA? (inteligenciafinanceira.com.br)

por WILLIAM CASTRO ALVES

“Não compre ações de empresas fora dos EUA”, escreveu Warren Buffett em sua carta anual aos acionistas . A afirmação pode parecer exagerada, mas tendo a oportunidade de visitar a conferência da Berkshire Hathaway  por dois anos seguidos, aprendi algumas coisas.

Uma delas é que a estratégia de investimentos de Buffett, a qual é muito simples – ou seja, comprar boas empresas e manter essas posições por alguns anos – funciona. Warren Buffett e a Berkshire são a prova viva de que isso, de fato, pode funcionar. 

No entanto, seu exemplo se deu através de investimentos no mercado americano. Buffett fez fortuna investindo no maior mercado do mundo e em uma moeda historicamente forte, o dólar. Você pode até buscar outros exemplos de value investors pelo mundo, mas o fato é que a Berkshire e Buffett fizeram fortuna essencialmente investindo no mercado americano. 

O recado do Oráculo… 

Na sua carta aos acionistas da Berkshire deste ano, Warren Buffett nos ensina: 

(Tradução) Não consigo lembrar-me de um período desde 11 de março de 1942 – a data da minha primeira compra de ações – em que não tenha tido a maior parte do meu património investido em ações sediadas nos EUA. 

A América tem sido um país excelente para investidores. Tudo o que precisavam fazer era ficar sentados em silêncio, sem ouvir ninguém. 

Mudanças no portfólio de Warren Buffett

Um dos principais destaques é que Warren Buffett segue com uma posição de caixa bastante expressiva, para ser mais exato, são US$ 167,6 bilhões à espera de boas oportunidades de uso. Buffett é conhecido pela sua paciência na espera de boas oportunidades. 

O conhecido investidor realizou algumas mudanças em seu portfólio, segundo o report 13F publicado recentemente. Como característica principal, sua certeira segue apresentando uma baixa rotatividade. Para se ter uma ideia, o tempo de permanência média de uma ação em seu portfólio é de 22 trimestres, ou seja, mais de cinco anos. 

Warren Buffett tradicionalmente não altera significativamente sua carteira, mas desta vez ele zerou exposição a quatro ativos – a construtora DR Horton, as seguradoras Markel Group Inc e Globe Live Inc, e a brasileira Stone. Sim, Buffett investe em empresas fora dos EUA, mas sua alocação nessas ações é consideravelmente pequena. Buffett tinha 0,04% do seu portfólio alocado na Stone, participação essa que ele adquiriu quando do seu IPO  em 2018. Além disso, Buffett segue investido em ações do Nubank – o banco é sua 21ª posição, com US$ 892 milhões, ou 0,26% do seu portfólio alocados.

(Tradução) Fora dos EUA, não existem essencialmente candidatos que sejam opções significativas para aplicação de capital na Berkshire. 

Buffett reduziu a exposição à Apple vendendo 10 milhões de ações, o que equivale a cerca de US$ 1,8 bilhão. É importante mencionar que a Apple continua sendo sua maior posição, com mais de 50% do seu portfólio, totalizando mais de US$ 170 bilhões alocados na empresa. Além disso, ele reduziu a exposição à HP e à Paramount. Do lado das compras, destaca-se o aumento da exposição à petroleira Chevron, que passa a ser a quinta maior posição de seu portfólio, e à empresa de mídia Sirius XM. 

Na data do report, suas 10 maiores posições respondiam por 93% do seu portfólio, de cerca de US$ 347 bilhões.  

Internacionalização acontecendo… 

Seguindo o conselho do Oráculo de Omaha, temos visto, com muito orgulho, o movimento de internacionalização acontecer no Brasil. Desde que a Avenue foi criada há cinco anos, temos trabalhado incessantemente para mostrar a importância de o brasileiro internacionalizar sua vida financeira e em apresentar as infinitas possibilidades aqui fora. 

Atualizado em 07/03/2024