As variáveis do bom investimento

Relaciona as variáveis que tem um bom investimento

Além do valor intrínseco, as variáveis que interessam ao princípio buy and hold orientam para se determinar corretamente:

  • A margem de segurança;
  • Seu nível de competência na análise;
  • A quantidade de ações a comprar;
  • Quando deve vender a aplicação;
  • Quanto deve apostar quando escolhe uma ação;
  • E se a qualidade de uma empresa vale o investimento.

Margem de segurança. Warren e Charlie são adeptos de reduzir suas situações de risco, por isso estabelecem sempre margens de segurança sólidas nas suas operações com investimentos. Essas margens são mais necessárias em mercados pequenos, com níveis de liquidez muito dependentes de fatores externos.

As margens de segurança são estimativas tão imprecisas quanto o cálculo do valor intrínseco, e variam de analista para analista. Um fator importante é acompanhar o movimento de bolsa da ação da empresa que se deseja analisar, para conhecer a liquidez e as médias de negociação que influenciem a margem de segurança.

Nível de competência da análise. O acompanhamento do desempenho da empresa e das variáveis “de mercado” é essencial na fixação e alterações do valor intrínseco das empresas com as quais operam. Ambos têm repulsa por índices como o EBITDA, preferindo estar mais perto da atividade que produz resultados concretos: melhores vendas, melhor distribuição, aumento nas margens, redução dos custos, alta qualidade na administração, etc.

Charlie tem uma regra: investir numa empresa que ele conhece, cujo negócio ele entende, melhor do que outras pessoas, para ter uma vantagem na hora de decidir. Recusa qualquer negócio que fuja do seu conhecimento e entendimento.

Quanto comprar, quando vender. Um dos últimos passos de uma decisão de investimentos é a de especificar quantas ações de uma empresa devem ser compradas, a que preço-limite. Compras e vendas podem ser realizadas em grandes blocos, ou serem obtidas ou negociadas em lotes.

Como regra geral, essas definições levam em conta que suas operações são pensadas para durarem muito tempo, e afastam-se de negócios day-trade e semelhantes.

Concentrar, melhor que diversificar. Charlie não vê necessidade de diversificar. A Berkshire tem boa concentração de investimentos, mais de 90% do seu market cap está concentrado em menos de 10 ações. Diversificar significa ter partes irrisórias de capital em muitas empresas, e sua valorização pouco influi na valorização do portfólio total.

Concentrar não significa investir em poucos setores (bancos, tecnologia, consumo, etc), mas investir em melhores desempenhos e lucros superiores às médias de mercado.

Charlie descarta uma regra sobre a hora de vender. Sua decisão de investir leva em conta manter-se como sócio daquela empresa por tempo indefinido. Isso pressupõe que ela foi detidamente analisada, e possui condições para manter-se mais lucrativa que as médias de mercado.

Quanto apostar. Muitas vezes, as relações entre preço de Bolsa e valor intrínseco atingem diferenças muito convidativas, Warren e Charlie podem investir numa ação, tal o seu poder de atração. Mas sempre fixam um custo-limite sobre qualquer operação de compra.

Qualidade de uma empresa vale o investimento? Muitas vezes, a análise do investimento pode apontar para uma empresa com tais diferenciais de qualidade, que justificam investir nelas, embora o preço da ação não esteja dentro dos padrões que ambos fixaram.

Warren dá como exemplo a compra da See’s, por um preço acima dos cálculos que normalmente fazia. Com isso criou uma regra para si mesmo: “Um negócio excepcional por um preço justo é melhor do que um negócio justo por um preço excepcional”.

Em sua empresa Berkshire, eles delegam amplos poderes de gestão e de responsabilidade aos executivos de cada empresa da qual são sócios. Preocupam-se sempre com o investimento em capital que realizaram, e cuidados na remuneração das pessoas. Seus negócios são extremamente descentralizados, apenas esses dois itens acima é que são objeto contínuo de sua ação.

No exemplo da See’s, eles cuidam para que os recursos financeiros gerados pela empresa sejam aplicados naquela que é a melhor oportunidade de investimento.

Remuneração sempre satisfatória. Warren e Charlie selecionam executivos altamente competentes para gerir suas empresas, e têm por norma remunerar satisfatoriamente as pessoas que empregam, com descrições de trabalho a realizar claras e concisas. Não contratam consultores de organização para isso, procuram levar as coisas com simplicidade. Seus principais executivos são, normalmente, pessoas ricas e têm poucas necessidades financeiras. O que vale, para eles, é a motivação para trabalhar como CEO, por exemplo.

Vantagens competitivas. Em suas empresas eles buscam vantagens competitivas duradouras (moats) que as diferenciem no mercado. Ótimos negócios tocados por executivos de primeira linha estão sempre na ordem-do-dia. O CEO tem, entre outras, a missão de tornar tais vantagens competitivas cada vez melhores. Charlie deseja que ele pense na empresa como um dos seus donos, que tenha uma mentalidade de sócio.

Charlie mantém sua empresa com imagem de um negócio íntegro, de alta reputação no mercado onde atua. Faz questão de deixar claro que não tem intenção de investir em qualquer empresa mal administrada, e a partir daí encontrar um executivo que a torne boa. Ele não treina executivos, ele os encontra prontos. Ocasionalmente, ele encontra uma estrela, um profissional de altíssima categoria e talento como empresário.

Atualizado em 25/06/2024