Os princípios
Menciona os princípios da técnica de Graham
Os princípios de Graham são:
- Cuide de uma ação como uma participação societária na propriedade da empresa;
- Compre a preços significativamente abaixo do valor intrínseco;
- O mercado é seu servo, não seu senhor;
- Seja racional, objetivo e desapaixonado.
Ser sócio, mais do que ir à bolsa. Quando se compra uma ação, o investidor assume participar com uma quota-parte ideal do patrimônio da empresa, em vez de “ter feito um negócio em bolsa”.
Warren e Charlie separam o investidor do especulador, que faz negócios baseado no preço em bolsa, esperando lucrar quando o preço aumentar. O investidor aprofunda o conhecimento dos fundamentos da empresa, como ela trabalha, como faz para ter lucro, quanto custa mantê-la.
Não querem ter “ações de empresas da bolsa”. Querem participar como sócios de diversas empresas, possuindo uma quota-parte ideal do capital dessas empresas.
Valor intrínseco. O valor intrínseco da ação é calculado com base na projeção de fluxo de caixa futuro, estimado a partir do orçamento empresarial. Warren e Charlie têm, como limite, que o valor intrínseco da empresa seja acima de 25% do seu preço em bolsa. São cuidadosos no cálculo desse valor intrínseco, detalhando as variáveis que equacionam as projeções de fluxo de caixa que o determinarão, e fixando a taxa de desconto no ativo zero-risco americano, as Letras do Tesouro de 30 anos.
O valor intrínseco de uma empresa não é um número estático; ao contrário, ele é uma estimativa essencialmente dinâmica, e seu cálculo pode ser trabalhoso. Para Charlie, estabelecer um valor intrínseco é quase uma arte, está longe de ser uma ciência.
Como regra geral, Charlie põe de lado aqueles negócios em que a estimativa do valor intrínseco é muito complexa, e prefere sempre as operações em que essa estimativa é relativamente simples. E gosta quando os resultados obtidos como lucro pela empresa são representados por dinheiro – e não máquinas e equipamentos.
Ele alerta: o cálculo do valor intrínseco com a utilização do título governamental se justifica porque, em qualquer caso, ele sempre pode investir o recurso nesses títulos. A partir daí, ele avalia o custo da oportunidade: o negócio que ele examina é tão bom quanto esses títulos? Seu lucro é efetivamente uma geração de caixa? Não gosta nem de ouvir falar em EBITDA...
Como seria no Brasil? Fatores externos que influenciam essa projeção, em países como o Brasil:
- Variações cambiais
- Variações em preços de commodities
- Variações nos preços do barril de petróleo
- Calamidades e problemas ambientais
- Interferências governamentais na área fiscal e tributária
- Interesse público que afeta a empresa
Bolsa é um serviço apenas. Warren e Charlie usam a bolsa como instrumento de suas negociações, mas não se subordinam às cotações e outros procedimentos que, em outros casos, fazem da Bolsa uma bíblia.
Eles deixam as paixões de lado, buscam ser 100% racionais, e colocam de lado eventuais variações de preço causadas por fatores emocionais.
Comprar na baixa, vender na alta. Ambos entendem que os preços de bolsa podem se apresentar eufóricos ou deprimidos, criando oportunidades de compras nas baixas e de vendas nas altas, com variações em relação ao valor intrínseco mais significativas. Reconhecem que o investidor indisciplinado e mal-informado quase sempre faz exatamente o contrário: compra na alta, vende na baixa.
Racionalidade. Suas preocupações em serem sempre racionais – e não emotivos! – faz com que reajam aos preços de uma forma bem positiva: quando os preços caem (mas o valor intrínseco se sustenta) eles compram mais ações daquela empresa. Com isso gastarão menos recursos para aumentar suas posições. Ambos insistem nesse ponto: seja racional!
Cultura geral. Para Charlie, um investidor bem-sucedido deve ter o que ele chama de “cultura geral”, com razoáveis conhecimentos de psicologia, química e física, filosofia e história até engenharia, para que suas decisões de investimento sejam as melhores. Nem sempre ele acertará, pode até perder dinheiro, mas estará mais seguro de saber o que deseja fazer com seu dinheiro. Charlie lia muito, procurava sempre estar em dia com as últimas tendências e novidades em exatas e em humanas. Charlie dizia que era preciso identificar modelos de comportamento, e seu livro “The Psychology of Human Misjudgement” fala muito nisso, e esses modelos ajudam o investidor a errar menos. Ele lembrava ainda que o investidor deve ser curioso, deve querer saber mais sobre um assunto, e deve sempre fazer perguntas sobre isso. Com esses procedimentos, o investidor errará menos que os despreparados. E ele reconhece que errou muitas vezes, mas aprendeu muito.
Atualizado em 25/06/2024