Alguns procedimentos de proteção

Relaciona procedimentos de proteção contra riscos

Risco é um conceito subjetivo e pode ser definido como “probabilidade de perda”. Em termos estatísticos, risco é a dispersão de valores esperados em torno de uma média (desvio padrão). Quanto mais dispersos os valores esperados da aplicação em relação a uma média, mais arriscado é o investimento.

Normalmente, o risco tem relação direta com o nível de renda do investimento ou com o custo de um financiamento: quanto maior o custo ou nível de renda exigidos, maior o potencial de risco.

Risco é algo que pode ser evitado, mitigado (reduzido) ou transferido. O verbo “mitigar” é consagrado pelo uso, todos os estudos sobre risco o utilizam.

Risco é algo que a maioria das pessoas – físicas e jurídicas – está disposta a pagar para não ter.

Depois que o investidor adquirir a consciência de que todo investimento corre algum tipo de risco, pode-se começar a analisar as diferentes alternativas de investimento à sua disposição. E o primeiro critério de avaliação pode ser exatamente o nível de risco que esse investidor aceita tomar: desde a atração até a total aversão. Algo como se perguntar, ao avaliar uma decisão de investir: “qual é o risco deste investimento? aceito correr este risco?”

Controlar riscos é o melhor caminho para evitar perdas. Evitar riscos, por outro lado, provavelmente também evitará o melhor retorno.

O Brasil tem uma cultura histórica de convívio com a inflação que influencia bastante qualquer uma dessas reações. Até 1994, o país viveu algumas décadas de insegurança em relação ao dinheiro, com a correção monetária buscando – e quase nunca conseguindo - corrigir o poder de compra da moeda. Enquanto outros povos têm moedas duradouras (nem sempre estáveis, mas ao menos duradouras), os brasileiros chegaram a conviver com diversos padrões de moeda, todas altamente instáveis: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro, cruzado, cruzado novo, cruzeiro, cruzeiro forte e real, apenas para citar os últimos 40 anos.

A instabilidade monetária, mesmo depois de solucionada com a chegada do real, deixou más lembranças nas pessoas mais velhas, e essas más lembranças foram parcialmente transmitidas aos mais jovens. Esta instabilidade ainda influencia o nível de aceitação do risco.

Vale lembrar também que o nível de risco tolerado por um investidor não é constante. O próprio noticiário dos jornais pode modificar sua percepção de risco. Descendo a detalhes, as inseguranças decorrentes dos problemas enfrentados pelos países da área do euro afetam a sua tolerância ao risco? Mais ou menos do que uma variação para baixo na taxa Selic do governo brasileiro? Ou uma eventual alta depois da estabilidade, por causa de novas pressões inflacionárias? Mais ou menos do que um acidente que amassou muito o carro do filho, e que não estava no seguro?

Todas essas circunstâncias afetam, de quase nada a muito, os humores de um investidor, e o fazem reavaliar seu nível – momentâneo – de tolerância ao risco.

Gestão do risco.  A gestão do risco deve começar com uma compreensão dos fatores que o definem. É o conjunto de técnicas que visa a avaliar, de acordo com um padrão estatístico ou determinista, as perdas causadas por variações nas condições de mercado, operacionais, de crédito etc.

Estas técnicas destinam-se a minimizar a possibilidade de descontinuidade do processo de liquidação de operações, inclusive mediante a adoção de modelos e sistemas reconhecidamente aceitos.

Referem-se não somente às práticas destinadas à limitação dos riscos individuais, como também aos métodos sistemáticos e quantitativos para identificar, monitorar e controlar os riscos agregados, que envolvem todas as áreas de atividades de uma instituição.

O grau de informações. Não há substituto para a informação. Existe uma correlação entre o risco e o grau de informações obtidas pelo investidor para determinada contingência.

Quanto mais informado estiver o investidor sobre determinado evento futuro, as probabilidades que compõem a curva de contingência ou riscos possíveis do evento podem ser alteradas, para melhor ou para pior, de acordo com a qualidade das informações.

Esta análise, não raro e erroneamente, é feita de forma superficial, tornando o investimento vulnerável e arriscado, não criando a relação nível de informação x nível de risco x nível de sinistro, básica para qualquer processo de gerenciamento de carteira de investimentos.

A gestão do risco deve começar com o conhecimento da natureza das várias tendências do risco e a diferença entre elas.

Diversificação de carteiras. Warren Buffet, já mencionado neste livro, costuma provocar o mercado ao afirmar: “coloque todos os ovos numa cesta só, e acompanhe-a com muito cuidado”. Quer dizer, com isso, que o investidor que exagera na diversificação tem dificuldade em administrar seu investimento, e acaba tendo prejuízo. Mas, não há uma receita de bolo para orientar como o investidor deve diversificar seus investimentos. O que um indivíduo avalia como arriscado pode não ser arriscado para outra pessoa. E o risco é relacionado apenas ao investimento realizado pelo investidor. Ele não tem risco se não estiver aplicado em determinado ativo.

Basicamente, estas premissas são válidas:

  • Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta (contrariando Warren Buffet...);
  • Evite concentrar seus investimentos no mesmo tipo de ativo (investimento) e instituição.
  • Diversifique o quanto possível também em relação a prazos, moedas e mercados.

Um título ou valor mobiliário que represente uma porcentagem mínima na carteira traz poucos benefícios quando valoriza mais do que os outros. Algumas carteiras de fundos de investimento mantêm investimentos que pesam bem menos de 1% no valor do patrimônio. Autores mencionam que a participação de cada investimento numa carteira de algum valor tenham entre 5% e 20% do total da carteira, além de um colchão de segurança que proporcione muito conforto ao investidor.

Isso significa uma diversificação entre 5 e 10 ativos, com a média girando em torno de 7 aplicações diferentes.

O risco/retorno. É o procedimento para analisar a relação risco/retorno de um investimento de qualquer natureza. A análise leva em conta um ativo ou uma carteira de ativos. A análise do investimento faz-se através da relação entre o retorno esperado - ou referenciado (benchmark) pelo investidor e o nível de risco máximo tolerado para que o retorno seja viabilizado.

A análise considera a variação de valor do ativo (aumento ou diminuição do valor, para ações, a cotação e para títulos de crédito, os juros acumulados) acrescida de qualquer distribuição de caixa durante o período (pagamento de cupom de juros, dividendos e outras formas de distribuição de resultado). Quanto menor a relação, melhor será o investimento avaliado.Os princípios básicos para análise e decisão de investimentos fundamentam-se nas técnicas que medem ou quantificam se determinado investimento tem relação risco/retorno boa e consistente.

CAPM (Capital Asset Pricing Model). É o modelo de precificação de ativos de capital, proposto originalmente por William F. Sharpe, que prediz o relacionamento entre o risco e o equilíbrio dos retornos esperados nos ativos de risco. Feito a partir da modelagem utilizada para determinar a taxa de retorno teórica apropriada de um determinado ativo em relação a uma carteira de mercado idealmente diversificada. O modelo busca descrever uma relação justa entre o retorno esperado do ativo examinado, o retorno de um ativo livre de risco e o retorno esperado de um portfólio de mercado, em ativos submetidos a cotação em mercados organizados.

É avaliado em função de um coeficiente de volatilidade denominado Beta (ß), que mede a covariância do retorno de uma ação em relação ao retorno do mercado, e mede níveis de risco esperados nas cotações de uma ação em relação ao risco de índice de referência. A análise do investimento faz-se através da relação entre o retorno esperado - ou referenciado (benchmark) pelo investidor e o nível de risco máximo tolerado para que o retorno seja viabilizado. A análise considera a variação de valor do ativo (aumento ou diminuição do valor, para ações, a cotação e para títulos de crédito, os juros acumulados) acrescida de qualquer distribuição de caixa durante o período (pagamento de cupom de juros, dividendos e outras formas de distribuição de resultado). Quanto menor a relação, melhor será o investimento avaliado.

Estatisticamente, o ß estabelece uma relação de proporção entre a variação de mercado (variável independente) com a variação da ação (variável dependente).

Atualizado em 19/05/2014