Comparando formas de companhia aberta
Descreve as diferenças entre a companhia aberta brasileira e a public company dos mercados mais avançados
A estrutura da formação do capital é a característica que mais diferencia a companhia aberta existente no Brasil e a public company dos Estados Unidos, aqui tomada apenas como referência.
As grandes companhias públicas com ações negociadas nos principais mercados do mundo segregam (separam), nitidamente, a propriedade da administração.
O administrador dessas empresas é um profissional qualificado, quase sempre selecionado em empresas de caça-talentos de renome internacional, e sua função é buscar maximizar os resultados da empresa para os acionistas.
Já a propriedade das ações é frequentemente pulverizada entre muitos acionistas. É comum que o acionista controlador tenha pequenos porcentuais do capital, e que o restante (o free float [1]) esteja distribuído no mercado, contando com fundos de pensão e fundos de investimentos como grandes acionistas, podendo até deter neste caso participações maiores do que o controlador.
Ao mesmo tempo, é raro existirem ações sem direito a voto nessas empresas. Um acionista atuando isoladamente, ou mediante acordo com outros sócios, pode realizar uma aquisição hostil, e assumir o controle da empresa.
No Brasil, apenas como comparação, aquisições hostis são quase sempre inviáveis, porque o controlador detém grande porcentuais do patrimônio da empresa (quase sempre a maioria absoluta das ações com direito de voto), ou existem acordos de acionistas que garantem maiores insuperáveis.
[1] Quantidade de ações de uma empresa disponível para negociação em mercados organizados. Em mercados de ações desenvolvidos, esta quantidade costuma representar um porcentual significativo do estoque de ações das empresas, com grande participação de ações ordinárias. Nos mercados menos desenvolvidos, a concentração de ações em poder dos acionistas controladores faz com que o total de ações disponível para transações seja menor. Além disso, a disponibilidade de ações não contempla volumes expressivos - ou ao menos razoáveis - de ações ordinárias.
Atualizado em 02/10/2012